Pai de Cachorro Viagem sem eles: como lidar com a saudade de estar longe dos pets

Viagem sem eles: como lidar com a saudade de estar longe dos pets

Por mim, eu viajaria levando meus cachorros sempre, simplesmente porque eu morro de saudade deles quando estou longe

Paçoca tenta embarcar para cobrir a Olimpíada de Londres em 2012

Paçoca tenta embarcar para cobrir a Olimpíada de Londres em 2012

Reprodudção/ Celso Zucatelli

O tema de hoje é bem pessoal, como eu tenho feito aqui, compartilhando minhas experiências para que você, leitor, possa se identificar e entender que não está sozinho nas suas preocupações, dúvidas ou dificuldades no papel de Pai de Pet.

Vamos começar com total honestidade: por mim, eu viajaria levando meus cachorros sempre, simplesmente porque eu morro de saudade deles quando estou longe. Mas, é claro, que não posso fazer isso. Primeiro (e primeiro mesmo) porque a Ana, a mãe deles, jamais toparia. Eu já entro no carro rumo ao aeroporto dizendo: "saudade deles". E ela: "pronto, começou".

Na viagem atual, que estamos fazendo para comemorar bodas de prata, ela me disse: "são 12 anos viajando com você falando dos cachorros todos os dias". E isso é a mais pura verdade.

Vamos aos fatos: quem me acompanha nas redes sociais sabe que nossas viagens não são exatamente simples: estamos na Finlândia “caçando” a aurora boreal. E, por mais que eu tenha certeza absoluta - escrevo esta parte apenas para irritar a Ana - que o Paçoca amaria estar aqui na neve porque ele odeia o calor e ama o frio, seria impossível trazer o cara para uma viagem assim. Ou tantas outras que fazemos, como Vietnã, Austrália, China, Belize e mais de 70 países para onde não teria cabimento incluir a cachorrada.

É claro que parte desta vontade de trazer os cachorros tem uma carga de brincadeira e provocação com a Ana, mas o principal aqui é explicar que a viagem com os cachorros deve ser boa para eles, não para nós.

Muito tempo no carro, muito tempo no avião, ter que ficar em um hotel porque parte do passeio não é pet friendly são motivos mais do que suficientes para gente entender que eles ficam muito mais confortáveis onde estão e jamais devemos forçar uma situação apenas porque morremos de saudade deles. Mas, por favor, não contem para a Ana que eu tenho esta consciência porque iria estragar anos de provocação.

Quando a gente se prepara para viajar, eles já percebem e o Paçoca sempre entra na mala, numa última tentativa de embarcar na aventura. A gente tem dezenas de fotos assim dele. Separei duas: esta semana e em 2012, quando fui para a Olimpíada de Londres.

Paçoca tenta ir para a Finlândia

Paçoca tenta ir para a Finlândia

Reprodudção/ Celso Zucatelli

No nosso caso específico ainda há o agravante de que são quatro, o que inviabiliza a aceitação na maioria dos hotéis e nos obrigaria, sempre, a optar por locação de casa ou apartamento, o que também nem sempre é fácil porque quando escrevemos que são quatro cães, mesmo pequenos, muitos anfitriões recusam.

Na semana passada vivemos uma situação assim numa necessidade: dedetização da casa. Hotéis: apenas um cão por apartamento. Solução: um apartamento. A primeira reserva acabou cancelada no caminho para a hospedagem. O dono do imóvel disse que não foi ele, que não sabe o que aconteceu, mas eu acho que minha honestidade em preencher o formulário informando que era um casal com quatro cachorros assustou o cara.

Enfim, achei outro studio e logo troquei mensagens com o dono mostrando as fotos da turma. Ele topou e curtiu ter minha galera no apartamento dele. Mas ainda assim não deu certo porque chegamos lá e o ar-condicionado estava quebrado naquele calor de Saara que fazia em São Paulo. E eu já mostrei para vocês aqui o risco de hipertermia para nossos cães e gatos.

Resultado: correria para encontrar um hotel às 10 da noite com quatro cachorros. Deu certo, mas um deles, o Cafezinho, ficou muito incomodado, assustado com os barulhos no corredor, não foi bom para ele.

Vou fazer um texto só sobre este dia porque a parte do hotel merece, mas estou contado tudo isso para mostrar que em uma noite apenas, na mesma cidade onde moramos, não foi legal para minha turma de quatro patas este “passeio”.

A gente não optou pela casa de família onde eles normalmente ficam porque eram apenas algumas horas, nossa agenda estava super apertada com muitos eventos para apresentar nesta semana e muitas gravações na TV, como sempre acontece nos últimos meses do ano. Tentamos facilitar e não foi bom. Imagine numa viagem mais longa.

Cada um vai escolher a melhor forma. Deixar em casa, com alguém se hospedando lá e cuidando deles, num hotelzinho, numa casa de família que oferece este serviço (para gente sempre foi muito legal), deixar na sogra (a minha jamais toparia) ou com outro familiar que curta cuidar da turma, enfim… qualquer opção que seja boa para eles, repito.

Aqui também vale a reflexão sobre a decisão de ter um pet. Sério. Eu sempre vou dizer que a vida é muito melhor com eles, mas saibam que ela muda e você precisa mesmo estar pronto para isso.

Uma amiga muito querida, colega de TV e de R7, ficou anos sem viajar porque não tinha coragem de deixar o cachorro dela com ninguém. Quando ele partiu, ela decidiu, embora seja apaixonada por cães como eu, não ter outro, porque sabe que não conseguiria viajar e fazer outras coisas. Não sei quanto tempo ela aguenta sem, mas está assim por enquanto.

O recado final é: pense bem antes de tomar esta deliciosa decisão de ter um cão ou gato. Nossa vida muda para melhor, mas devemos sempre garantir que a deles seja maravilhosa e isso tem, primeiro, um custo financeiro. Mas, principalmente, saiba que você vai abrir mão de muitas coisas para que eles vivam com a mesma felicidade que nos proporcionam, regra básica deste relacionamento.

  Tô com saudade deles, não vejo a hora de chegar em casa.

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